sábado, 10 de novembro de 2012

Exercícios - As Revoltas da República Velha


1. (Ufpr 2011)  Os movimentos messiânicos brasileiros, como Canudos e Contestado, ocorreram entre o final do século XIX e início do XX. Sobre esses movimentos, considere as seguintes afirmativas:

1. Foram movimentos de resistência social, liderados pelos anarquistas de origem italiana.
2. Foram movimentos baseados na religiosidade popular, como reação à laicização do estado brasileiro imposta pela proclamação da República.
3. Foram movimentos religiosos liderados pela Igreja Católica, contrária às reformas políticas do estado brasileiro.
4. Foram movimentos relacionados à disputa pelo poder local e à luta pela terra, acirrados pelas reformas impostas pelo regime republicano.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.  
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.  
c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.  
d) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.  
e) Somente a afirmativa 4 é verdadeira.  
  
 Resposta:[D]

Foram movimentos de sertanejos pobres e explorados, marcados pela situação de ignorância e de forte misticismo. Como seus líderes eram homens comuns, de origem popular e congregaram centenas e milhares de adeptos, foram estigmatizados e perseguidos pela Igreja Católica. Os dois movimentos, apesar da distancia no tempo entre eles, contestaram de alguma forma o governo e as instituições republicanas. 

2. (Unesp 2008) Observe a fotografia dos habitantes de Canudos aprisionados pelas tropas federais em 1897.
Caracterize as circunstâncias sociais da formação do arraial de Canudos e o contexto histórico de sua destruição.

Resolução 

O contexto sócio-econômico da Guerra de Canudos é o de marginalização da população sertaneja, isolada geograficamente e socialmente, a mercê do poder dos grandes latifundiários e ignorada pelo regime recém instalado. Liderados por Antônio Conselheiro, os sertanejos de Canudos tentaram manter um modo de vida solidário e alternativo em pleno sertão baiano.
Considerados perigosos por propagar supostas propostas de restauração monárquica, acusados de fanáticos, loucos e até de “comunistas”, os revoltosos foram combatidos por quatro expedições do Exército até a destruição completa do arraial em 1897.

  
3. (G1 - ifce 2011)  A Revolta de Canudos (1893-1897) se insere no contexto das lutas populares da República Velha e se caracteriza como movimento messiânico. Melhor caracteriza esta revolta: 
a) movimento de rebeldia social que, sob o comando do cangaceiro Virgulino Ferreira – o Lampião – lutava contra a opressão da vida nordestina.   
b) liderada por José Maria, cujo nome verdadeiro era Miguel Lucena Boaventura, reuniu mais de 20 mil sertanejos e fundou com eles alguns povoados, a chamada “Monarquia Celeste”.   
c) ocorrida no governo do presidente Rodrigues Alves, no Rio de Janeiro, contra as péssimas condições de vida da população pobre, como epidemias, pobreza e desemprego.   
d) movimento liderado por Antônio Conselheiro (Antônio Mendes Maciel), que fundou, no sertão da Bahia, uma comunidade que congregava ex-escravos, sertanejos sem terra, gente perseguida pelos coronéis ou pela polícia.   
e) reuniu 2 mil marujos da Marinha brasileira, sob a liderança de João Cândido, que reivindicavam o fim dos castigos físicos, da má alimentação e dos baixos soldos (salários).  




 
Resposta:[D]

Movimento messiânico, ou sebastianista, deu origem a uma comunidade independente, que não aceitava as estruturas políticas-republicanas e contestava a autoridade da Igreja Católica. Ao longo de anos, as pregações do beato, conhecido como Antônio Conselheiro, atraiu milhares de sertanejos pobres, vítimas da seca, da concentração fundiária e da violência dos coronéis.  
  
 
4. (Ufg 2010)  Analise a imagem e leia o fragmento a seguir.

           
            Protesto contra a perseguição que se está fazendo à gente de Antônio Conselheiro […] Não se lhe conhecem discursos. Diz-se que tem consigo milhares de fanáticos […] Se na última batalha é certo haverem morrido novecentos deles e o resto não se desapega de tal apóstolo, é que algum vínculo moral e fortíssimo os prende até a morte. Que vínculo é este?

ASSIS, Machado de. Jornal Gazeta de Notícias, 31 jan. 1897. In: ASSIS, Machado de, 1839-1908. Obra Completa. Organização de Aluízio Leite Neto, Ana Lima Cecílio e Heloísa Jahn. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 1365-1366. V. 2.

A figura de Antônio Conselheiro está associada à Guerra de Canudos (1893-1897). Quatro expedições militares foram necessárias para destruir a comunidade de Belo Monte, na Bahia.

Considerando o contexto das primeiras décadas republicanas, explique
a) as críticas presentes na charge e no texto de Machado de Assis;
b) o interesse do governo republicano em disseminar uma imagem negativa sobre a comunidade liderada por Antônio Conselheiro.

 
Resposta: a) Na charge, há um jogo de palavras. A ironia de que Antônio Conselheiro “estaria pintando o diabo” estabelece uma relação com a religiosidade popular, que encara o diabo como a representação do mal. Nesse sentido, a crítica relaciona-se à demonização de Antônio Conselheiro, disseminada durante o período republicano, quando sua figura passa a ser associada ao Monarquismo e ao fanatismo religioso. Ao mesmo tempo, há a indicação de um líder resistente, que “está dando o que fazer” e “pintando o diabo”. No fragmento de Machado de Assis, a referência ao desconhecimento do discurso dos amotinados de Canudos indica que, na realidade, há indiferença quanto aos princípios que mobilizam os seguidores de Conselheiro. Ainda, quando faz tal crítica, Machado sugere que é preciso algo mais do que apenas adjetivar os seguidores de Conselheiro como fanáticos, propondo, então, uma reflexão sobre o vínculo estabelecido entre o Conselheiro e seus seguidores – vínculo, segundo ele, “moral e fortíssimo”.

b) Era importante para o governo republicano disseminar uma imagem negativa da comunidade de Canudos, visto que a resistência dessa comunidade às incursões militares associava a República à fraqueza político-administrativa. Esse movimento reforçava as dificuldades vividas, no decurso das primeiras décadas republicanas, quando assistia-se às várias mobilizações sociais no campo e na cidade, que exigiam do governo ações pontuais para controlar os descontentamentos. Além disso, as pregações de Antônio Conselheiro foram vinculadas ao monarquismo por introduzirem críticas às políticas implementadas pelo regime republicano, tais como o casamento e o registro civil, e a separação entre Igreja e Estado.  

5. (Enem 2010)  As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a identidade cultural, dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o modo de vida dos antigos revoltosos.
Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque reúnem um conjunto de
a) objetos arqueológicos e paisagísticos.   
b) acervos museológicos e bibliográficos.   
c) núcleos urbanos e etnográficos   
d) práticas e representações de uma sociedade.
e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta.  
  
Resposta:[A]

A questão permite uma dupla interpretação. O ENEM considera a alternativa “A” como correta, pois a preocupação do Iphan foi preservar as ruínas, nas quais não se encontram elementos bibliográficos ou técnicos e não nos permite a compreensão de questões étnicas. No entanto, a alternativa “D” também pode ser considerada, pois as ruínas das construções de Canudos refletem o modo de vida da população daquela comunidade.  


6. (Uerj 2011)  
 
A Guerra de Canudos, de 1896 a 1897, foi um dos principais conflitos que marcaram o início do período republicano no Brasil. Os prisioneiros retratados na foto são sobreviventes dessa guerra, sertanejos vítimas de exclusão social e política.
Os fatores responsáveis por essa exclusão, naquele contexto, foram:
a) êxodo rural – voto de cabresto   
b) desemprego – reação monarquista   
c) crise agrícola – sincretismo religioso   
d) concentração fundiária – coronelismo   
  
  
Resposta:[D]

A Guerra de Canudos foi um dos conflitos sociais de maior gravidade no contexto dos anos iniciais de implantação da república no Brasil. Envolveu sertanejos pobres e um líder religioso, Antônio Conselheiro, fundadores de uma comunidade onde as condições de vida se diferenciavam das práticas de exclusão social e política, então predominantes naquele momento e pouco alteradas pelo regime republicano. Entre essas práticas, figuravam a concentração da propriedade fundiária e a exploração do trabalhador rural, decorrentes do poder político desfrutado pelos grandes coronéis.  

  
7. (Enem 2010)  A serraria construía ramais ferroviários que adentravam as grandes matas, onde grandes locomotivas com guindastes e correntes gigantescas de mais de 100 metros arrastavam, para as composições de trem, as toras que jaziam abatidas por equipes de trabalhadores que anteriormente passavam pelo local. Quando o guindaste arrastava as grandes toras em direção à composição de trem, os ervais nativos que existiam em meio às matas eram destruídos por este deslocamento.

MACHADO P. P. Lideranças do Contestado. Campinas: Unicamp.
2004 (adaptado).

No início do século XX, uma série de empreendimentos capitalistas chegou à região do meio-oeste de Santa Catarina – ferrovias, serrarias e projetos de colonização.
Os impactos sociais gerados por esse processo estão na origem da chamada Guerra do Contestado. Entre tais impactos, encontrava-se
a) a absorção dos trabalhadores rurais como trabalhadores da serraria, resultando em um processo de êxodo rural.   
b) o desemprego gerado pela introdução das novas máquinas, que diminuíam a necessidade de mão de obra.   
c) a desorganização da economia tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais da região.   
d) a diminuição do poder dos grandes coronéis da região, que passavam disputar o poder político com os novos agentes. 
e) o crescimento dos conflitos entre os operários empregados nesses empreendimentos e os seus proprietários, ligados ao capital internacional.  

  
Resposta:[C]

A Guerra do Contestado ocorreu no interior de Paraná e Santa Catarina e envolveu pequenos proprietários e principalmente a população sertaneja. Do ponto de vista econômico, a situação de pobreza da grande massa camponesa levou-os a contestar a política do governo federal de construir uma ferrovia na região, uma vez que todo o processo de derrubada da mata para a construção afetou a economia local, conforme descreve o texto, “os ervais nativos (...) eram destruídos”. Normalmente a Guerra do Contestado é apresentada apenas do ponto de vista ideológico, destacando-se a religiosidade, o messianismo, da população local.  

  
8. (Unesp) "Padre Cícero, prontamente, jurou lealdade ao Papa e à Constituição republicana do Brasil e, de imediato, recorreu aos potentados políticos do interior, atitudes com as quais ele, mais uma vez, desviou de si a hostilidade ambivalente do Estado e da Igreja. Desde que começara sua querela com a hierarquia eclesiástica do Ceará, em 1891, padre Cícero, diferentemente de Antônio Conselheiro, inúmeras vezes procurou, obteve e cultivou a proteção da hierarquia política local".
 (Ralph Della Cava. "Milagre em Joazeiro".)

O texto distingue a Canudos, de Antônio Conselheiro, do movimento de Joazeiro, no Ceará, liderado pelo padre Cícero. Apesar das suas diferenças, percebe-se pelas atitudes do padre Cícero que ele enfrentava problemas semelhantes aos confrontados por Antônio Conselheiro no interior da Bahia. Aos olhos de parcela das elites brasileiras da época, sobretudo litorâneas, estes movimentos
a) resultaram da reação da população brasileira à corrupção da Igreja e ao Dogma da Infalibilidade do Papa.
b) tinham propósitos distintos, porque padre Cícero era membro da Igreja e Antônio Conselheiro não era cristão.
c) ameaçavam a hierarquia eclesiástica, a ordem social no interior do país e a estabilidade do regime político vigente.
d) exprimiam os ideais da civilização cristã na sua fase de maior desenvolvimento nas sociedades americanas.
e) eram liderados por políticos republicanos radicais, insatisfeitos com os rumos tomados pelo governo.

resposta:[C]
  
9. (Unicamp 2011)  A denominação de república oligárquica é frequentemente atribuída aos primeiros 40 anos da República no Brasil.
Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fazem parte do vocabulário político necessário ao entendimento desse período.

(Adaptado de Maria Efigênia Lage de Resende, “O processo político na Primeira República e o liberalismo oligárquico”, em Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.), O tempo do liberalismo excludente – da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 91.)

Relacionando os termos do enunciado, a chamada “república oligárquica” pode ser explicada da seguinte maneira:
a) Os governadores representavam as oligarquias estaduais e controlavam as eleições, realizadas com voto aberto. Isso sustentava a República da Espada, na qual vários coronéis governaram o país, retribuindo o apoio político dos governadores. 
b) Diante das revoltas populares do período, que ameaçavam as oligarquias estaduais, os governadores se aliaram aos coronéis, para que chefiassem as expedições militares contra as revoltas, garantindo a ordem, em troca de maior poder político.   
c) As oligarquias estaduais se aliavam aos coronéis, que detinham o poder político nos municípios, e estes fraudavam as eleições. Assim, os governadores elegiam candidatos que apoiariam o presidente da República, e este retribuía com recursos aos estados.   
d) Os governadores excluídos da política do “café com leite” se aliaram às oligarquias nordestinas, a fim de superar São Paulo e Minas Gerais. Essas alianças favoreceram uma série de revoltas chefiadas por coronéis, que comandavam bandos de jagunços.   

  
Resposta:[C]

A estrutura política estabelecida neste período baseava-se num encadeamento que envolvia as três esferas de poder: o Municipal, Estadual e o Federal. A política do café com leite se completava com o apoio dos governadores estaduais que, por sua vez, dependia dos coronéis e do controle que estes exerciam sobre a população pobre através do voto de cabresto.  

  
10. (Enem 2ª aplicação 2010)  Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei.

LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa Omega.

Esse discurso, típico do contexto histórico da República Velha e usado por chefes políticos, expressa uma realidade caracterizada
a) pela força política dos burocratas do nascente Estado republicano, que utilizavam de suas prerrogativas para controlar e dominar o poder nos municípios.   
b) pelo controle político dos proprietários no interior do país, que buscavam, por meio dos seus currais eleitorais, enfraquecer a nascente burguesia brasileira.   
c) pelo mandonismo das oligarquias no interior do Brasil, que utilizavam diferentes mecanismos assistencialistas e de favorecimento para garantir o controle dos votos.   
d) pelo domínio político de grupos ligados às velhas instituições monárquicas e que não encontraram espaço de ascensão política na nascente república.   
e) pela aliança política firmada entre as oligarquias do Norte e Nordeste do Brasil, que garantiria uma alternância no poder federal de presidentes originários dessas regiões.   

  
Resposta:[C]

Os chefes políticos da República Velha ficaram conhecidos como “coronéis” e suas práticas cotidianas como “coronelismo”. Grandes proprietários rurais em áreas do interior se tornaram na prática líderes políticos locais, controlando as prefeituras, sendo que na prática detinham o poder de polícia e o poder de justiça, pois normalmente nomeavam delegados e juízes, além de se imporem aos líderes religiosos. Do ponto de vista político, organizaram verdadeiros “currais eleitorais”, controlando a massa de eleitores através do voto de cabresto.  

11. (Uerj 2012) Observe a foto do grupo de Lampião e Maria Bonita e o mapa que destaca a área do Nordeste brasileiro onde o cangaço se disseminou nas décadas de 1920 e 1930.
 

O cangaço representou uma manifestação popular favorecida, basicamente, pela seguinte característica da conjuntura social e política da época:

(A) cidadania restringida pelo voto censitário
(B) analfabetismo predominante nas áreas rurais
(C) criminalidade oriunda das taxas de desemprego
(D) hierarquização derivada da concentração fundiária



Alternativa correta: (D)



Comentário da questão:

O cangaço foi um movimento social que envolveu populações pobres de áreas interiores do Nordeste. Até hoje, integra o imaginário popular brasileiro com as histórias sobre, entre outros, Lampião, Maria Bonita e seu bando, expressando tanto o valor da rebeldia e do crime, quanto o da coragem e da força daqueles que, à sua maneira, reagiram contra o poder dos grandes coronéis.
O banditismo social protagonizado pelos cangaceiros pode ser entendido como uma consequência da marginalização de segmentos populacionais, causada pela concentração fundiária. A concentração de terras tanto sustentava a supremacia política dos grandes proprietários, quanto garantia a preservação das hierarquias da ordem social vigente nas décadas de 1920 e 1930.

12. (Enem 2010)  A serraria construía ramais ferroviários que adentravam as grandes matas, onde grandes locomotivas com guindastes e correntes gigantescas de mais de 100 metros arrastavam, para as composições de trem, as toras que jaziam abatidas por equipes de trabalhadores que anteriormente passavam pelo local. Quando o guindaste arrastava as grandes toras em direção à composição de trem, os ervais nativos que existiam em meio às matas eram destruídos por este deslocamento.

MACHADO P. P. Lideranças do Contestado. Campinas: Unicamp.
2004 (adaptado).

No início do século XX, uma série de empreendimentos capitalistas chegou à região do meio-oeste de Santa Catarina – ferrovias, serrarias e projetos de colonização.
Os impactos sociais gerados por esse processo estão na origem da chamada Guerra do Contestado. Entre tais impactos, encontrava-se
a) a absorção dos trabalhadores rurais como trabalhadores da serraria, resultando em um processo de êxodo rural.   
b) o desemprego gerado pela introdução das novas máquinas, que diminuíam a necessidade de mão de obra.   
c) a desorganização da economia tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais da região.   
d) a diminuição do poder dos grandes coronéis da região, que passavam disputar o poder político com os novos agentes.   
e) o crescimento dos conflitos entre os operários empregados nesses empreendimentos e os seus proprietários, ligados ao capital internacional.   

 
Resposta:[C]

A Guerra do Contestado ocorreu no interior de Paraná e Santa Catarina e envolveu pequenos proprietários e principalmente a população sertaneja. Do ponto de vista econômico, a situação de pobreza da grande massa camponesa levou-os a contestar a política do governo federal de construir uma ferrovia na região, uma vez que todo o processo de derrubada da mata para a construção afetou a economia local, conforme descreve o texto, “os ervais nativos (...) eram destruídos”. Normalmente a Guerra do Contestado é apresentada apenas do ponto de vista ideológico, destacando-se a religiosidade, o messianismo, da população local.  

13. (Uerj 2012)



Os textos referem-se aos efeitos da gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), momento em que a cidade do Rio de Janeiro passou por uma de suas mais importantes reformas urbanas. Uma intervenção de destaque foi a abertura da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, provocando não só elogios, como também conflitos sociais.
A principal motivação para esses conflitos esteve relacionada à:

(A) restrição ao comércio popular
(B) devastação de áreas florestais
(C) demolição de moradias coletivas
(D) elevação das tarifas de transporte



Alternativa correta: (C)



Comentário da questão:

As reformas urbana e sanitária promovidas na cidade do Rio de Janeiro, durante a gestão do prefeito Pereira Passos, relacionaram-se, entre outros aspectos, ao projeto de modernização da capital da República brasileira, imprimindo sobre ela as marcas e símbolos do progresso. Entre as ações promovidas, estavam intervenções urbanísticas e arquitetônicas em áreas de ocupação mais antiga, como aquelas que se situavam no entorno da área portuária. A abertura da avenida Central, hoje Rio Branco, representou o carro-chefe dessas intervenções, ocasionando, como medidas correlatas, um conjunto de desapropriações e demolições de moradias populares e coletivas. Esse processo, conhecido como “bota-abaixo”, criou quadro propício para insatisfações e conflitos sociais, como, por exemplo, o episódio da Revolta da Vacina, em novembro de 1904.

14. (Fuvest 2011)   
— Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta!
— Não entra! Não entra! repercutiu a multidão em coro.
E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo.
— Aguenta! Aguenta!
                                   Aluísio Azevedo, O cortiço, 1890, parte X.

O fragmento acima mostra a resistência dos moradores de um cortiço à entrada de policiais no local. O romance de Aluísio Azevedo
a) representa as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da
escravidão e o difícil convívio entre ex-escravos, imigrantes e poder público.   
b) defende a monarquia recém-derrubada e demonstra a dificuldade da República brasileira de 
manter a tranquilidade e a harmonia social após as lutas pela consolidação do novo regime.   
c) denuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas sociais
existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em relação ao Rio de Janeiro.   
d) valoriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores explorados da população brasileira.   
e) apresenta a imigração como a principal origem dos males sociais por que o país passava, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho dos escravos e os marginalizaram.   

 Resposta:[A]

O texto retrata o choque entre as populações pobres que moravam em cortiços – sendo grande parte formada por ex-escravos – homens negros e mulatos pobres e o poder público, denunciando o preconceito e a discriminação que se mantiveram no país, mesmo após a abolição da escravidão.  




 


15. (ENEM 2011)

 História 
A imagem representa as manifestações nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, na primeira década do século XX, que integraram a Revolta da Vacina. Considerando o contexto político-social da época, essa revolta revela

a) a insatisfação da população com os benefícios de uma modernização urbana autoritária.
b) a consciência da população pobre sobre a necessidade de vacinação para a erradicação das epidemias.
c) a garantia do processo democrático instaurado com a República, através da defesa da liberdade de expressão da população.
d) o planejamento do governo republicano na área de saúde, que abrangia a população em geral.
e) o apoio ao governo republicano pela atitude de vacinar toda a população em vez de privilegiar a elite.




resposta:[A]


O Rio de Janeiro era a capital do Brasil, cidade onde se encontravam representações diplomáticas e empresarial e padecia de infra-estrutura básica. A política dos governos federal e municipal de promover o  saneamento e  embelezamento da cidade, entendidos como modernização foi implementada de maneira autoritária com a demolição das casas populares e a vacinação forçada promovida pelo sanitarista Oswaldo Cruz. 

16. (UPE 2012) O período de afirmação da República no Brasil, em especial aquele compreendido entre a última década do século XIX e as duas primeiras do século XX, foi palco de várias revoltas e motins que, muitas vezes, manifestavam o descontentamento popular com o novo regime. Sobre essa realidade, analise as afirmações seguintes:
I. As revoltas se restringiram ao espaço urbano, demonstrando o conformismo da população rural de então.
II. A Revolta da Vacina (1904) no Rio de Janeiro é exemplo das manifestações populares na Capital Federal.
III. Canudos foi um exemplo de agitação no campo a qual conturbou também os anos iniciais do regime republicano no Brasil.
IV. A Guerra do Contestado (1912-1916) foi outro exemplo do conflito no campo, tendo como palco o estado do Pará.
V. A Revolta da Chibata (1910), restrita ao interior da marinha, também está nesse contexto da jovem república.
Estão CORRETAS
A) I, II e III.
B) II, III e V.
C) I, III e V.
D) I, II e IV.
E) II, III e IV.


Resposta:[B]
  
17. (Enem 2ª aplicação 2010)  
 O mestre-sala dos mares

            Há muito tempo nas águas da Guanabara
            O dragão do mar reapareceu
            Na figura de um bravo marinheiro
            A quem a história não esqueceu
            Conhecido como o almirante negro
            Tinha a dignidade de um mestre-sala
            E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
            Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
            Jovens polacas e por batalhões de mulatas
            Rubras cascatas jorravam nas costas
            dos negros pelas pontas das chibatas...

BLANC, A.; BOSCO, J. O mestre-sala dos mares. Disponível em: www.usinadeletras.com.br. Acesso em: 19 jan. 2009.

Na história brasileira, a chamada Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, e descrita na música, foi
a) a rebelião de escravos contra os castigos físicos, ocorrida na Bahia, em 1848, e repetida no Rio de Janeiro.   
b) a revolta, no porto de Salvador, em 1860, de marinheiros dos navios que faziam o tráfico negreiro.   
c) o protesto, ocorrido no Exército, em 1865, contra o castigo de chibatadas em soldados desertores na Guerra do Paraguai.   
d) a rebelião dos marinheiros, negros e mulatos, em 1910, contra os castigos e as condições de trabalho na Marinha de Guerra.   
e) o protesto popular contra o aumento do custo de vida no Rio de Janeiro, em 1917, dissolvido, a chibatadas, pela polícia.   
 
  
Resposta:[D]

A rebelião dos marinheiros foi um dos acontecimentos sociais mais importantes do início do século XX. Liderada por João Candido, os marinheiros tomaram os navios de guerra, aprisionaram os comandantes e exigiram mudanças no Regimento Interno da corporação, em especial o fim dos castigos físicos, prática comum para aqueles que eram considerados marinheiros faltosos, normalmente amarrados no convés, onde eram chicoteados, numa prática típica da época da escravidão.  


18. (Uerj 2011)  Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, mandamos esta honrada mensagem para que Vossa Excelência faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilitam. Tem Vossa Excelência 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada.

Adaptado do memorial enviado pelos marinheiros ao presidente Hermes da Fonseca, em 1910.
In: MARANHÃO, Ricardo e MENDES JUNIOR, Antônio. Brasil história: texto e consulta. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam direitos de cidadania garantidos pela
Constituição da época.
As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira República, foram causadas pela permanência de:
a) hierarquias sociais herdadas do escravismo.   
b) privilégios econômicos mantidos pelo Exército.   
c) dissidências políticas relacionadas ao federalismo.   
d) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas.   

 
Resposta:[A]

A Revolta está relacionada principalmente aos maus-tratos destinado aos marinheiros, grande parte deles negros, ex-escravos ou descendentes de escravos, considerados inferiores. Mesmo com a abolição da escravidão (1888), com a Proclamação da República (1889) e com a nova Constituição (1891), o preconceito se manteve com um discurso pseudo-científico, que considerava o homem branco como superior, conhecido como “darwinismo social”.  


19. (Ufmg 2011)  O tenentismo surgiu na década de 1920. Desde o início, despontou para a história como um marco relevante para explicar a crise da Primeira República, a revolução de 1930 [...], em especial a participação do Exército na política.

LANNA JÚNIOR, Mário C. Martins. Tenentismo e crises políticas na Primeira República. Apud FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de A. Neves. O Brasil Republicano. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. v.1., p.315.

1. Identifique duas reivindicações do Movimento Tenentista.
    a) Reivindicação 1:
    b) Reivindicação 2:

2. Cite e descreva duas ações empreendidas pelo Movimento Tenentista no Brasil.
    a) Ação 1:
    b) Ação 2: 

 
Resposta: 1. a) Fim da política oligárquica e Centralização política
b) Criação da Justiça eleitoral e voto secreto

2. a) A Revolta do Forte de Copacabana – A Revolta do Forte de Copacabana, em 1922, foi o primeiro movimento militar armado, que pretendeu tirar do poder as elites tradicionais.  Durante toda manhã do dia 5 o Forte de Copacabana sustentou fogo cerrado. Diversas casas foram atingidas na trajetória dos tiros até os alvos distantes, matando dezenas de pessoas. Eram 301 revolucionários - oficiais e civis voluntários - enfrentando as forças legalistas.

b) A Coluna Prestes - No início de abril de 1925, as forças gaúchas comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes se uniam com as tropas que fugiam de São Paulo. Os dois grupos haviam participado das rebeliões do ano anterior, mantiveram focos de resistência e procuravam manter e fortalecer sua organização, para retomar a luta pelo grande ideal: Salvar a Pátria.   

20. (Unesp 2012) A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-se
a) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às fraudes eleitorais da Primeira República.
b) à tentativa de implantação de um poder popular, expressa na defesa de pressupostos marxistas.
c) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à tentativa de derrubar o presidente Artur Bernardes.
d) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas.
e) ao esforço de implantação de um regime militar e à primeira mobilização política de massas na história brasileira.


 Resposta:[C]
Resolução
O tenentismo, cuja mais expressiva manifestação foi a Coluna Prestes, buscava, através da luta armada, pôr fim ao regime oligárquico, típico da Primeira República brasileira. Lutou contra o governo de Artur Bernardes e o sistema oligárquico até a Revolução de 1930.

  
21. (UFMG) Leia o texto.
"Quando veio a revolução de 24, disparavam os canhões nas travessas da Rua da Moóca. Lembro que todos os vizinhos rodeavam o Tenente Cabanas, que era muito destemido, levavam comida para os soldados, ou iam levar seu abraço. Nós víamos os petardos atravessarem as ruas; nas Igrejas do Cambuci os soldados do governo acamparam e disparavam. (...) Os aviadores do governo tinham ordem de jogar bombas no Brás; dizia que a italianada estava a favor da revolução."
(Lembranças do Sr. Ariosto, In: BOSI, Ecléa. MEMÓRIA E SOCIEDADE: LEMBRANÇA DE VELHOS. São Paulo: T. A. Queiróz, 1979. p. 144.) 

As lembranças relatadas no texto referem-se à
a) Insurreição Armada dos Aliancistas contra Júlio Prestes.
b) Rebelião tenentista chefiada por Miguel Costa e Isidoro.
c) Revolta dos "18 do Forte" de Copacabana.
d) Revolução Constitucionalista de São Paulo.
e) Revolução Federalista do Rio Grande do Sul.


resposta:[B]
  
22. (Unesp 2010)  Quais as principais transformações da cultura brasileira na década de 1920? Incluir neste contexto a Semana de Arte Moderna. 
 
Resposta: A década de 20 foi caracterizada por significativas transformações, entendidas como características da crise da República Velha. Apesar do predomínio do café, o crescimento industrial e de atividades paralelas estimulou a urbanização e o surgimento de novos grupos sociais que passaram a atuar de forma mais significativa. Uma elite urbana e o movimento de jovens oficiais – o tenentismo - contestavam politicamente e militarmente a estrutura de poder, assim como uma nova mentalidade – o modernismo – que representava uma mudança de visão de mundo e de comportamento, caracterizada pela oposição aos valores da elite tradicional e pela defesa de elementos nacionalistas, que teve seu ponto alto na Semana de Arte Moderna de 1922, apesar de ter repercussão pelos anos seguintes.  

  
23. (Unesp 2012) Tarsila do Amaral é uma das artistas que melhor traduziu o “espírito de brasilidade”, como se pode observar no quadro Abaporu.
 
Partindo de seus conhecimentos sobre a década de 1920, analise as afirmações.
I. O quadro Abaporu, de 1928, inspirou o Manifesto Antropofágico, e os quadros de Tarsila serviram para divulgar o modernismo brasileiro.
II. As formas ousadas e cores de tons fortes e vibrantes usadas nos quadros de Tarsila traduziram o espírito de brasilidade.
III. Em 1929, a cafeicultura no Brasil, sobretudo a paulista, sofreu um forte abalo com a quebra da bolsa de Nova Iorque.
IV. A cultura cafeeira paulista, buscando as manchas de terras roxas, possibilitou a conservação do solo e a preservação das florestas, minimizando as ações antrópicas.
Estão corretas as afirmações
A) II e III, apenas.
B) I, II e III, apenas.
C) III e IV, apenas.
D) I e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
 
Resposta:[B]


Resolução
Estão corretas as afirmações, I, II e III:
Afirmação I: “Abaporu”, o trabalho que Tarsila do Amaral deu de presente a seu então marido Oswald de Andrade, inspirou-o a criar o “Manifesto Antropófago” (e não “Antropofágico”, como diz o enunciado); além disso, em suas pinturas a artista sintetizou o espírito inovador e nacionalista do movimento, colaborando para sua consolidação e difusão.
Afirmação II: no quadro, é possível perceber a exploração das tonalidades fortes, ressaltando tanto o contraste entre elas, quanto a sua referência nacionalista, na presença das cores da bandeira nacional (o azul do céu, o verde da terra e o amarelo do sol). A ousadia das formas plásticas se faz presente, na tela, no contraste entre os pés e a cabeça da figura representada.
Afirmação III: o chamado crack da bolsa de Nova York, em outubro de 1929, abalou as finanças de boa parte do mundo ocidental. A cafeicultura paulista não ficou imune à crise, e muitas fortunas foram atingidas — como a de Oswald de Andrade, marido de Tarsila do Amaral.
Afirmação IV: a expansão cafeeira na década de 1920, assim como nas décadas anteriores, não permitiu a conservação dos solos e a preservação da floresta; ao contrário, a ampliação das ações antrópicas (relativo às modificações provocadas pelo homem no meio ambiente) acentuou significativamente a deterioração ambiental.


 
24. (Fuvest 2012) Examine estas imagens, que reproduzem, em preto e branco, dois quadros da pintura brasileira. 
 

a) Identifique o movimento artístico a que elas pertencem e aponte uma característica de sua proposta estética.
b) Cite e caracterize um evento brasileiro importante relacionado a esse movimento

Resolução:
a) Modernismo. Característica: contestação aos valores estéticos acadêmicos, apresentando uma proposta artítica com razízes brasileiras e temáticas sociais.
b) Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo no mês de fevereiro de 1922. Nesse evento, artista de vanguarda ligados à literatura, às artes plásticas e à música (Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Menottei del Picchia, Di Cavalcanti, Tasila do Amaral, eitor Villa Lobos e outros) expuseram suas ideias e proposta para uma nova produção cultrual, contraiando os valores vigentes.


 
25. (Fuvest 2010)  No “Manifesto Antropófago”, lançado em São Paulo, em 1928, lê-se: “Queremos a Revolução Caraíba (...). A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem (...). Sem nós, a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.”

Essas passagens expressam a
a) defesa de concepções artísticas do impressionismo.   
b) crítica aos princípios da Revolução Francesa.   
c) valorização da cultura nacional.   
d) adesão à ideologia socialista.   
e) afinidade com a cultura norte-americana.   
  
 
Resposta:[C]

O “Manifesto Antropofágico” de Osvald de Andrade expressou o nacionalismo presente no movimento modernista no Brasil do início do século XX, propondo a autenticidade da cultura nacional em reação aos valores estéticos tradicionais e externos, através da absorção de tudo o que o estrangeiro traz para o Brasil, sugar-lhe todas as idéias e uni-las às brasileiras, realizando assim uma produção artística e cultural rica, criativa, única e própria.  

 
26. (Ufrrj) A charge exposta a seguir trata da política brasileira durante o período de crise do que se convencionou chamar de República Oligárquica.
 
Charge de STONI na revista Careta, ano 22, n 1103, de 10/08/1929 In: LEMOS, Renato (organizador). "Historia do Brasil através da caricatura" (1840-2001). Rio de Janeiro: Bom Texto Editora e Produtora de Arte e Editora Letras & Expressões, 2001. p.61. 

A charge em questão joga com o nome de personagens importantes da política brasileira da época para compor o nome daquele que, conhecido como "Cavaleiro da Esperança", carregava então um enorme prestígio e as aspirações de mudança de grandes parcelas do povo brasileiro a partir de sua atuação
a) na revolta de julho de 1922, conhecida como os 18 do Forte de Copacabana, em contestação à eleição e posse de Artur Bernardes, representante das oligarquias dominantes.
b) no levante de novembro de 1935, em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL), contra o integralismo e o governo de Getúlio Vargas (1934/37).
c) na direção do Partido Comunista do Brasil (PCB), que se tornou vítima do autoritarismo do governo de Eurico Dutra (1946/51).
d) na direção da luta operária do período, com a organização do Bloco Operário e Camponês (BOC), que o lançou candidato à presidência da República em 1930.
e) na chamada "Coluna Miguel Costa - Prestes", que percorreu o Brasil buscando organizar um levante contra o governo das oligarquias rurais.

resposta:[E]

 
27. (Fuvest-2009) No Brasil, a década de 20 foi um período em que:
a) velhos políticos da República, como Rui Barbosa, Pinheiro Machado e Hermes da Fonseca, alcançaram grande projeção nacional.
b) as forças de oposição às chamadas "oligarquias carcomidas" se organizaram, sem contudo apresentar alternativas de mudança.
c) as propostas de reforma permanecendo letra morta, não se configurou nenhuma polarização político-ideológica.
d) a aliança entre os partidos populares e as dissidências oligárquicas culminou com a derrubada da República Velha nas eleições de 1.o de março de 1930.
e) ocorreram agitações sociais e políticas, movimentos armados, entre eles a Coluna Prestes, e várias propostas de reforma foram debatidas.

resposta : [E]

 
28. (UFV 2007) A década de 1920 foi um período de crise da “república do café-com-leite”, uma vez que as transformações ocorridas nos anos anteriores contribuíram para a melhor organização dos grupos sociais existentes e o surgimento de outros. Alguns desses grupos se voltaram contra a política tradicional, baseada no poder das oligarquias, no autoritarismo e nas fraudes eleitorais, manifestando seu descontentamento através de movimentos civis e militares.
Sobre a década de 1920 no Brasil, é CORRETO afirmar que houve:

a) um levante conhecido como Intentona Comunista, logo após a fundação do Partido Comunista do Brasil, que congregou um grande número de operários e intelectuais.
b) duas das mais importantes revoltas do movimento denominado tenentista, que queria moralizar a vida política, pôr fim à corrupção eleitoral e promover reformas sociais.
c) a Revolta da Vacina, em que o Rio de Janeiro transformou-se num campo de batalha, com a formação de barricadas e violentos choques entre populares e tropas do governo.
d) duas greves gerais nos principais centros urbanos do país, sob a liderança de industriais e comerciantes insatisfeitos com a política governamental de valorização dos produtos agrícolas.
e) o movimento modernista, durante a realização da Semana de Arte Moderna, evento ocorrido em São Paulo em 1922, cujo manifesto defendeu o fim do voto de cabresto e da política dos governadores.

resposta: [B]

29. (Unifesp-2008) A política do Estado brasileiro, depois da Revolução de 1930, nas palavras do cientista político Décio Saes, “será combatida, pelo seu caráter ‘intervencionista’ e pelo ‘artificialismo’ dos seus efeitos; de outro lado, a política de reconhecimento das classes trabalhadoras urbanas será criticada pelo seu caráter ‘demagógico’, ‘massista’ e ‘antielitista’”. 
(in: História Geral da Civilização Brasileira, III, 3, 1981, p. 463.)

As críticas ao Estado brasileiro pós-1930 eram formuladas por setores que defendiam
a) os interesses dos usineiros e, no plano político, o coronelismo.
b) posições afinadas com o operariado e, no plano político, o populismo.
c) os interesses agro-exportadores e, no plano político, o liberalismo.
d) as burguesias comercial e financeira e, no plano político, o conservadorismo.
e) posições identificadas com as classes médias e, no plano político, o tenentismo.

resposta: [C]
O grupo agrário exportado foi o primeiro a combater a política econômica varguista, pois foi alijado do poder. Essa oposição, no entanto, não se deve a política intervencionista como propõe o enunciado, pois esse setor sempre foi beneficiado pela política governamental intervencionista
anterior. A política trabalhista foi combatida pelos grupos sociais mais conservadores, que defendiam o liberalismo político no sentido de se contraporem a “proteção aos trabalhadores”.
 
30. (ENEM 2011) É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da República no Brasil que não cite a afirmação de Aristides Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Essa versão foi relida pelos enaltecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram da forma republicana, mas realçaram a exclusão social, o militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em 1889. Isto porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930.

MELLO, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica no final do Império. Rio de Janeiro: FGV, 2007 (adaptado).

O texto defende que a consolidação de uma determinada memória sobre a Proclamação da República no Brasil teve, na Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes. Os defensores da Revolução de 1930 procuraram construir uma visão negativa para os eventos de 1889, porque esta era uma maneira de

a) valorizar as propostas políticas democráticas e liberais vitoriosas.
b) resgatar simbolicamente as figuras políticas ligadas à Monarquia.
c) criticar a política educacional adotada durante a República Velha.
d) legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse grupo ao poder.
e) destacar a ampla participação popular obtida no processo da Proclamação.


Resposta :[D]

Resolução:
Com a Revolução de 1930, tiveram início a Era Vargas e a formação de um novo bloco hegemônico na condução do Estado brasileiro. Para afirmar simbolicamente o grupo que assumia o poder, buscou-se primeiro depreciar o bloco deposto para, depois, consolidar uma nova identidade em torno de elementos como trabalhismo e nacionalismo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Questões de Vestibular - República Velha e Era Vargas


Questões discursivas com gabarito comentado. República Velha e Era Vargas
1. (Cesgranrio 2011)  As cascas de banana da caricatura, que fariam escorregar e cair os candidatos ao Palácio do Catete, ganharam sua maior expressão com o golpe de 1937, que implantou o Estado Novo. Esse golpe possibilitou, após sete anos, a permanência de Getúlio Vargas no poder, consolidando uma ditadura que somente teve fim em 1945.
Nessa perspectiva,
a) cite duas medidas tomadas pelo governo do Estado Novo, explicando de que forma reforçaram a centralização política do período.
b) relacione as medidas tomadas por Getúlio Vargas para incentivar o desenvolvimento brasileiro à ascensão das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro no cenário nacional.
 
2. (Ufrj 2011)  Porcentagem de votantes nas eleições presidenciais entre 1894 e 1930

Candidato vencedor      Nº de votantes (em milhares)   % de votantes sobre a população
Prudente de Morais (1894)            345                                                2,2
Campos Sales (1898)                       462                                               2,7
Rodrigues Alves (1902)                  645                                              3,4
Afonso Pena (1906)                        294                                                 1,4
Hermes da Fonseca (1910)           698                                                3,0
Venceslau Brás (1914)                    580                                               2,4
Rodrigues Alves (1918)                390                                                 1,5
Epitácio Pessoa (1919)                 403                                                 1,5
Artur Bernardes (1922)                833                                                 2,9
Washington Luís (1926)                702                                                2,3
Júlio Prestes (1930)                   1890                                                 5,6

Fonte: adaptado de Carvalho, José Murilo de. “Os três povos da República”. In: Carvalho, Maria Alice Resende de (org). República no Catete. Rio de Janeiro: Museu da República, 2001, p. 72.

Os dados eleitorais presentes na tabela indicam uma pequena participação popular nas eleições presidenciais na Primeira República (1890-1930).
Identifique duas restrições impostas pela Constituição de 1891 ao exercício do voto.
 
3. (Pucrj 2010)  Analise o discurso de Antônio Conselheiro, em Canudos, em 1890:

“(...) a república é o ludibrio [zombaria ou desprezo] da tirania para os fiéis (...) e por mais ignorante que seja o homem, conhece que é impotente o poder humano para acabar com a obra de Deus (...). O presidente da república, porém, movido pela incredulidade que tem atraído sobre ele toda sorte de ilusões, entende que pode governar o Brasil como se fora um monarca legitimamente constituído por Deus; tanta injustiça os católicos contemplam amargurados.”

Prédica “Sobre a república” Apud Jacqueline Hermann. Religião e Política no Alvorecer da República In: O Brasil Republicano. Volume 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 147-148.

a) INDIQUE a crítica central que o documento apresenta ao governo republicano.
b) IDENTIFIQUE um grupo social e sua principal motivação para se fixar em Canudos.
 
4. (Puc-rio 2009)  Leia a passagem do discurso proferido por Getúlio Vargas em agradecimento à manifestação popular ocorrida em Porto Alegre em 7 de Janeiro de 1938.

"Hoje, o Governo não tem mais intermediários entre ele e o povo. Não mais mandatários e partidos. Não há mais representantes de interesses partidários. Há sim o povo no seu conjunto e o governo dirigindo-se diretamente a ele, a fim de que, auscultando os interesses coletivos, possa ampará-los e realizá-los [...]".
                (Apud GOMES, Ângela de Castro. A política brasileira em busca de modernidade: na fronteira entre o público e o privado. In: "História da Vida Privada no Brasil". Vol. 4. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. p. 511)

a) CITE duas características da Carta Constitucional de 1937.
b) EXPLIQUE como a política do Estado Novo (1937-1945) visava a atender "o povo no seu conjunto", fazendo referência a duas medidas e/ou ações do governo.
 
5. (Ufrj 2009)  "A consolidação da República liberal (1889-1930) foi completada com a sucessão de Prudente de Morais (1894-1898) por outro paulista, Campos Sales (1898-1902), que em seu governo concebeu um arranjo conhecido como política dos governadores".
                Fonte: Adaptado de FAUSTO, Boris. "História do Brasil". São Paulo: Edusp, 1995, p.258.

Apresente duas características da chamada Política dos Governadores.
 
6. (Uff 2007)      "O coronelismo é um sistema político, uma complexa rede de relações que vai desde o coronel até o presidente da República, envolvendo compromissos recíprocos. O coronelismo, além disso, é datado historicamente. Na visão de Vitor Nunes Leal ele surge na confluência de um fato político com uma conjuntura econômica. O fato político é o federalismo implantado na República (...) A conjuntura econômica era a decadência econômica dos fazendeiros."
                (Adaptado de CARVALHO, José Murilo de. "Mandonismo, coronelismo e clientelismo: uma discussão conceitual". In: ______. "Pontos e Bordados". Belo Horizonte: UFMG, 1998, p.131-32).

Com base no texto apresentado:
a) indique o período da História do Brasil em que o Coronelismo teve o seu auge;
b) levando-se em conta as transformações políticas verificadas no Brasil, sobretudo após a implantação da ditadura do Estado Novo em 1937, compare os regimes políticos baseados no Coronelismo e no Autoritarismo.
 
7. (Ufrrj 2007)  "Convênio entre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, para o fim de valorizar o café, regular o seu comércio, promover o aumento do seu consumo e a criação da Caixa de Conversão, fixando o valor da moeda.
Art. 10. - Durante o prazo que foi conveniente, os Estados contratantes obrigam-se a manter nos mercados nacionais, o preço mínimo de 55 a 65 fr. em ouro, em moeda corrente do país, ao câmbio do dia, por saca de 60 quilos de café (...)."
                ["Documentos Parlamentares. Valorização do Café, tomo I", (1895-1906). RJ: Tipografia do Jornal do Comércio, 1915, p.228.]

O ano de 2006 assinala os cem anos da assinatura do Convênio de Taubaté, marco fundamental das políticas de valorização do café que se reproduziram até o final dos anos 20 do século passado.
a) Explique como seria alcançado o objetivo formulado no art. 10.
b) Aponte as razões que impediram a continuidade das valorizações do café, tal qual se davam, até então, a partir do final dos anos 20.
 
8. (Puc-rio 2007)  As transformações ocorridas no centro da cidade do Rio de Janeiro, resultantes das reformas urbana e sanitária implementadas pelo Prefeito Pereira Passos, no início do século XX, alteraram a fisionomia da cidade e as vidas de seus habitantes.
a) Cite duas transformações ocorridas, relacionando-as a uma dessas reformas.
b) Identifique e explique uma reação popular à reforma sanitária implementada durante o governo do Prefeito Pereira Passos, na cidade do Rio de Janeiro.
 
9. (Ufrj 2006)  "A revolta deixou entre os participantes um forte sentimento de auto-estima, indispensável para formar um cidadão. Um repórter de 'A Tribuna' ouviu de um negro acapoeirado frases que atestam esse sentimento. Chamando sintomaticamente o jornalista de cidadão, o negro afirmou que a sublevação se fizera para 'não andarem dizendo que o povo é carneiro'. O importante - acrescentou - era 'mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo'."
                Fonte: CARVALHO, José Murilo de. "Abaixo a vacina", in: Revista Nossa História. Ano 2, no13, novembro 2004, p.73-79.

A Revolta da Vacina (1904) a que se refere o texto, é considerada a principal revolta popular urbana da Primeira República (1889-1930).
a) Cite e explique dois motivos geradores de insatisfações que levaram a população da cidade do Rio de Janeiro a rebelar-se em 1904.
b) Identifique dois movimentos populares na área rural, à época da Primeira República.
 
10. (Ufrrj 2006)  "A esperança de um belo dia sagrando uma bela data e uma bela obra desfez-se, infelizmente, o sol não veio, e foi sob um aguaceiro impenitente e odioso, fino e pulverizado a começo, grosso e encharcante depois, que se foi ontem à inauguração da formosa avenida (...)".
                ("O País", 16/11/1905 - "15 de Novembro").

Está completando um século a inauguração festiva da Avenida Central, hoje Rio Branco, no centro da cidade do Rio de Janeiro, obra maior do prefeito Pereira Passos. Para sua construção centenas de imóveis foram derrubados. O conjunto das intervenções urbanas realizadas na época, sob a argumentação da modernização, embelezamento e higienização, dividiu a imprensa e a população durante todo o período do governo do Presidente Rodrigues Alves (1902/1906).

a) Apresente dois argumentos, sendo um contrário e um favorável, utilizados naquele momento em relação às reformas no Rio de Janeiro.
b) Cite a revolta popular ocorrida naquele período contra a ação "higienizadora" das autoridades.
 
11. (Ufrj 2005)  "Após o advento do Estado Novo, deu-se a consolidação de uma política de massas que vinha se preparando desde o início da década. Constituídos a partir de um golpe de Estado, sem qualquer participação popular, os representantes do poder buscaram legitimação e apoio de setores populares mais amplos da sociedade através da propaganda [...]. Além da busca de apoio, a integração política das massas visava ao seu controle em novas bases."
                Fonte: CAPELATO, Maria Helena. "O Estado Novo: o que trouxe de novo?", in: Ferreira, Jorge (org.). "O Brasil republicano". Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003, vol. 2, p.110.

O Estado Novo correspondeu ao período do Governo Vargas iniciado em 1937, com um golpe de Estado, e encerrado com a deposição do presidente.

a) Identifique duas medidas adotadas pelo Governo Vargas, durante o Estado Novo, que buscavam assegurar a realização dos objetivos mencionados pela autora do texto.
b) Explique um fator ligado à conjuntura internacional que tenha contribuído para o fim do Estado Novo.
 
12. (Puc-rio 2005)  Em novembro de 1937, o golpe que implantou o "Estado Novo" viabilizou a permanência de Getúlio Vargas no poder.
Em abril de 1964, outro golpe depôs o presidente João Goulart, iniciando um período da história da República no Brasil marcado pela presença de militares no controle do poder executivo federal (1964-1985). A partir de seus conhecimentos a respeito do Estado Novo (1937-1945) e do período dos governos militares (1964-1985),

a) IDENTIFIQUE uma semelhança entre os regimes políticos que vigoraram em cada um daqueles momentos.
b) EXPLIQUE uma diferença entre as ações do governo do Estado Novo e as que foram promovidas pelos governos militares, no que se refere aos direitos dos trabalhadores.
 
13. (Ufrrj 2004)  A proclamação a seguir é do movimento que, em nome da Aliança Nacional Libertadora, os comunistas deflagraram ao final de 1935 contra o governo Getúlio Vagas (1930/45) e que trouxe consequências que marcaram as décadas seguintes da História do Brasil.

O Rio Grande do Norte, desafrontado dos dias amargos em que viveu tiranizado por um governo forjado na prostituição dos princípios republicanos de outrora, hasteia-se soberbo, (...) abrindo caminho largo no solo abençoado da Pátria à entrada triunfal do Cavaleiro da Esperança - Luiz Carlos Prestes. (...)
A Aliança Nacional Libertadora assegura garantias plenas a todos os cidadãos, sem distinção de credo político ou religioso (...).
                Proclamação dos revoltosos de Natal (RN) em 24 de novembro de 1935, apud: ALVES FILHO, I. "Brasil", 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad, 1999. 2. ed., p. 446.

a) Explique o aparecimento do nome de Luiz Carlos Prestes na proclamação dos revoltosos.
b) Cite uma consequência do fracasso do levante de 1935 para a História brasileira dos anos 30.
 
14. (Ufrrj 1999)  "Foi em 1930
que à frente da Revolução
Getúlio Vargas assumiu
a Presidência do Brasil.
Era um tempo novo que se abria
o desenvolvimento industrial
as leis trabalhistas ele cria
é a Previdência Social

Era anos de conquista
e de grande agitação pelo poder
de 32 a 37,
aquele estadista
reprimiu os paulistas
comunistas e integralistas.
Mas não há quem esconda
seu valor de idealista,
basta falar em Volta Redonda, (...) "

                               (GOMES, Dias e GULLAR, Ferreira. "Dr. Getúlio: sua vida e sua glória". São Paulo, Civilização Brasileira, 1968. p.10-11.)

a) Indique duas características do governo de Getúlio Vargas, no período entre 1930 e 1937.

b) Explique uma característica do Estado Novo.
 
15. (Uerj 1999)  "Rio... Uma nova paisagem urbana se descortinava. Cores, luxo e sensações novas se anunciavam e se mesclavam às misérias também trazidas pelo progresso. Tempo de novos afazeres. O Rio de Janeiro se modernizava e clamava por sua inserção no mundo civilizado. Buscando o progresso, a cidade descobria uma nova maneira de ser. Reproduzindo os padrões europeus, a capital federal debruçava-se sobre o mundo dos lazeres e expandia suas possibilidades de buscar o prazer."
                (MENEZES, Lená Medeiros de. OS ESTRANGEIROS E O COMÉRCIO DO PRAZER NAS RUAS DO RIO (1890-1930). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1992.)

A modernização do Rio de Janeiro, em fins do século XIX e início deste, ocorreu sobretudo por ser a cidade o principal centro político e econômico do país. A partir daí, o progresso esteve sempre relacionado às possibilidades de desenvolvimento nas áreas cultural e de entretenimento. Contudo, nem sempre a busca do progresso e da civilização trouxe benefícios para a população mais pobre do Rio de Janeiro. Atualmente, problemas relativos ao crescimento urbano desordenado e à falência dos serviços públicos vêm dificultando a manutenção da denominação de "cidade maravilhosa".

a) Analise uma consequência negativa, para a população de baixa renda, derivada, da reforma urbanística desenvolvida pelo prefeito Pereira Passos (1903-1906).

b) Recentemente, o Rio de Janeiro não conseguiu o aval do Comitê Olímpico Internacional para sediar as Olimpíadas de 2004, apesar da mobilização de diversos segmentos da mídia, sociedade e governo.
Identifique duas razões relativas aos serviços públicos da cidade que possam ter prejudicado a candidatura do Rio.
 

Gabarito: 

Resposta da questão 1:
 a) Após o golpe de novembro de 1937, Getúlio Vargas determinou o fechamento do Congresso nacional e centralizou as atribuições do Legislativo. O governo proibiu a existência de partidos políticos e passou a exercer a censura sobre os meios de comunicação.

b) Vargas aprofundou a política industrialista, baseada num discurso nacionalista, e nessa época instalou no país a Companhia Siderúrgica Nacional, no Estado do Rio de Janeiro, favorecendo os polos industriais mais próximos.  

Resposta da questão 2:
 O candidato poderá indicar que estavam excluídos do voto: os mendigos; analfabetos; praças de pré, excetuando os alunos das escolas militares de ensino superior; os religiosos de ordens monásticas, sujeitas a voto de obediência, regra ou estatuto, que importasse a renúncia da liberdade individual.

Comentário:

Uma das características mais destacada quanto à limitação ao exercício da cidadania é a exigência de alfabetização. Vale notar a que os “praças” não votavam, ou seja, os soldados que não possuíam patente (a maioria). 

Resposta da questão 3:
 a) O candidato deverá mencionar como crítica central do documento a ideia de que a República era um tipo de governo que não respeitava as leis de Deus, representando, assim, a “tirania para os fiéis”. O presidente “movido por sua incredulidade”, realizava uma série de “injustiça aos católicos”, de que são exemplos a instituição do casamento civil e as eleições, que, segundo o Conselheiro, seriam manifestações do Anticristo.

Para Antônio Conselheiro, o legítimo poder emanava da vontade divina, explicando-se, assim, a sua defesa pela volta do regime monárquico no Brasil.

b) O candidato poderá identificar um dos seguintes grupos sociais: sertanejos pobres, ex-escravos e indígenas. A principal motivação que levou essas pessoas a seguirem Antônio Conselheiro e a se fixarem em Canudos era a situação difícil de suas vidas. Uma população pobre, sem terra (em decorrência da injusta situação fundiária do país), desassistida pelo governo. Os moradores de Canudos acreditavam que, após o Juízo Final, viveriam um momento de justiça e prosperidade. 

Resposta da questão 4:
 a) O candidato poderá citar que a Carta Constitucional de 1937 era autoritária e centralista; permitia ao presidente governar por meio de decretos-leis e nomear interventores para os estados; extinguiu os partidos políticos, aboliu a liberdade de imprensa, instituiu a censura, estabeleceu o estado de emergência reservando ao governo o direito de invadir domicílios, prender pessoas e aposentar funcionários públicos; proibiu as greves; estabeleceu o princípio da unidade sindical.

b) A política do Estado Novo visou atender "o povo no seu conjunto" uma vez que procurou atender os interesses dos setores industriais com a criação do Conselho Nacional do Petróleo (1938), da Companhia Siderúrgica Nacional (1941) e da Companhia Vale do Rio Doce (1942); os interesses do setor agrícola através da queima das sacas de café, do incentivo à produção de algodão, açúcar, borracha, cacau, pinho, mate; e os interesses dos trabalhadores urbanos por meio da organização de uma Justiça do Trabalho (1939), do estabelecimento de medidas tais como a Lei de Abono Familiar, o programa de construção de vilas operárias, o programa de recreação operária (que incluía atividades culturais e esportistas), e da sistematização e ampliação da legislação trabalhista com a "Consolidação das Leis do Trabalho" (1943). 

Resposta da questão 5:
 O candidato deverá apresentar duas das seguintes características da Política dos Governadores:
- o governo central sustentava os grupos dominantes nos Estados, enquanto esses, em troca, apoiavam a política do presidente da República;
- a instituição, na Câmara dos Deputados, da "Comissão de Verificação dos Poderes", instrumento através do qual eram validados os mandatos de deputados federais afinados com os grupos hegemônicos nos Estados e fiéis ao governo federal;
- fortalecimento do poder executivo; limitação da autonomia do poder legislativo e reforço nos poderes regionais e locais. 

Resposta da questão 6:
 a) República Velha ou Primeira República.

b) Destacar que o Coronelismo é "datado" porque ele se refere ao extremo federalismo vigente na Primeira República que, com a grande autonomia dos estados, dificultava o contato político direto entre os governantes e a população rural, na medida em que entre eles interpunha-se a figura do coronel. Seria em torno dele que os homens do campo e inúmeros agregados viviam, tomando-o como referência de prestígio, riqueza e proteção, embora fossem trabalhadores por ele explorados. Seria esse conjunto de dependentes - eleitores - que propiciava aos coronéis um instrumento para barganhar com os governos estaduais e federal, uma série de benefícios e benesses que lhe seriam concedidos em troca desse "maço de votos de cabresto", fundamental nas eleições republicanas da República Velha. Essa troca era a essência do chamado "compromisso coronelista" que, por um lado, assegurava ao coronel um poder político não mais compatível com sua situação econômica, que era de decadência. Por outro lado, o coronelismo tornou-se o pilar da política dos Governadores, ao assegurar com os votos de cabresto, a manutenção da própria Descentralização Republicana.
Com a "revolução de 1930" e a subida ao poder de uma aliança de setores agrários contrários à hegemonia dos cafeicultores paulistas, iniciou-se uma reestruturação do regime político brasileiro. Ela se dava no sentido da progressiva CENTRALIZAÇÃO do poder político em torno do Executivo federal, que seria reforçado visando a superar os REGIONALISMOS. A ditadura do Estado Novo foi o coroamento desse processo centralizador. O novo regime lançaria mão de medidas que promovessem a centralização das decisões políticas, a nacionalização da representação sindical das classes trabalhadoras urbanas via sindicalismo corporativista, além de estabelecer um sistema de ensino baseado em valores e princípios válidos para todo o território nacional. Além dessas, outras práticas autoritárias foram efetivadas durante o Estado Novo, como o fechamento do Parlamento, a Polícia Política etc., destinadas a assegurar o reconhecimento, EM NÍVEL NACIONAL, de uma só liderança política, no caso, Getúlio Vargas. Além disso, a expansão dos meios de comunicação, sobretudo o rádio, permitiu o acesso dos ocupantes do governo federal aos trabalhadores do campo ligados aos coronéis, não mais dependendo tão fortemente da intermediação coronelística para sua propaganda. Nesse sentido, enquanto o Coronelismo dava sustentação e respaldo à descentralização federativa na República Velha, o Autoritarismo do Estado Novo, com sua ideologia baseada no culto à Pátria, ao Poder Centralizado e aos valores nacionais, a ele se contrapôs, promovendo, além disso, o fim das barreiras fiscais interestaduais, consolidando o mercado nacional. 

Resposta da questão 7:
 a) A contratação de empréstimos no exterior pelos Estados vinculados ao Convênio objetivava financiar a formação do estoque regulador de café.

b) Com a eclosão da grande crise capitalista, no final dos anos 20, não houve mais a possibilidade de se contraírem empréstimos no exterior, o que levou a um enorme acúmulo de café sem compradores, à queda dos preços e à falência de inúmeros cafeicultores. 

Resposta da questão 8:
 a) O aluno deverá citar duas entre as seguintes ocorrências: o "bota abaixo" (demolição de velhos casarões e cortiços ); o alargamento das ruas e a consequente construção de avenidas, jardins e novos edifícios; a expulsão da população pobre do centro da cidade e a consequente ocupação dos morros e subúrbios, todas elas relacionadas à reforma urbana implementada durante o governo do prefeito Pereira Passos, nos primeiros anos do século XX. Ou ainda: a "campanha" de extermínio de ratos, transmissores da peste bubônica, obrigando a população a recolher o lixo ; a desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela (criação das brigadas de Mata - Mosquito) a partir da invasão das casas pelos "mata-mosquitos" e policiais, todas elas relacionadas à "reforma sanitária" que consistiu na criação, por parte do governo, de agentes sanitários que vacinavam as pessoas e faziam vistorias nas casas decidindo, inclusive, a demolição dos imóveis que consideravam perigosos à saúde pública, sem indenização aos moradores.

b) A "revolta da vacina", em 1904. O alunio deverá explicar que a reforma sanitária, citada anteriormente, provocou a reação de grande parte da população através dos jornais de oposição que criticavam o governo e que alertavam a população dos perigos da vacinação; dos embates nas ruas entre a população e os policiais ocasionando a derrubada de quiosques, bondes quebrados e incendiados, e a construção de barricadas. 

Resposta da questão 9:
 a) Alguns motivos para a insatisfação popular que levou à Revolta: o rígido regulamento aprovado pelo Congresso Nacional destinado a promover a campanha de vacinação para eliminar os focos de varíola que tomavam conta da cidade (obrigatoriedade da vacinação; isolamento à força dos doentes; multa aos refratários, etc.); a falta de amplo esclarecimento público sobre a campanha; a tensão vivida por setores da população com as repercussões da reforma urbana.

b) Canudos e Contestado. 

Resposta da questão 10:
 a) Contrário - as reformas tinham caráter elitista, não levando em consideração a situação da população pobre, como, por exemplo, na derrubada de habitações para a abertura de avenidas sem garantia de moradia para os desabrigados. Favorável - o embelezamento da cidade e a erradicação de diversas moléstias que assolavam o Rio de Janeiro.

b) Revolta da vacina. 

Resposta da questão 11:
 a) Criação do DIP; adoção da CLT; dissolução do Congresso Nacional; outorga de uma nova Constituição; nomeação de interventores nos estados; fechamento dos partidos políticos; censura aos meios de comunicação; intervenção do poder público na economia e na cultura.

b)  A participação brasileira e a vitória ao lado dos Aliados na 2a Guerra Mundial na luta contra o nazi-fascismo favoreceu a queda do Estado Novo. 

Resposta da questão 12:
 a) - a natureza autoritária de ambos regimes políticos;
- o fortalecimento do poder executivo central em detrimento tanto dos poderes legislativo e judiciário quanto do poder executivo dos Estados;
- a restrição às liberdades de manifestação, organização e associação, expressa na censura à imprensa, no controle sindical e na limitação do direito de greve, entre outros;
- o caráter expressamente anticomunista.

b) Durante o Estado Novo foram implementados e difundidos direitos sociais para os trabalhadores urbanos, cuja maior expressão foi a Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943. Podemos compreender, em grande parte, essas medidas como um desdobramento das demandas do movimento operário durante a Primeira República e como elemento essencial da política levada a cabo pelo governo, que objetivava, através do reconhecimento de direitos aos trabalhadores urbanos, submetê-los a seu controle e, ao mesmo tempo, angariar seu apoio como forma de legitimação do regime implantado. Após 1964, os governos militares, respondendo à gritante insatisfação dos movimentos sociais rurais (Ligas camponesas, sindicalismo rural, MASTER, entre outros), estenderam os direitos sociais aos trabalhadores rurais. 

Resposta da questão 13:
 a) A proclamação de Luís Carlos Prestes, se deve à sua liderança frente a Coluna Prestes, à presidência da ANL (Aliança Nacional Libertadora) e por ter sido um dos articuladores da Intentona Comunista de 1935.

b) Em 1937, utilizando-se do Plano Cohen que atribuía aos comunistas uma eventual tomada de poder, Getúlio Vargas instituiu o Estado Novo. 

Resposta da questão 14:
 a) A centralização do poder; a elaboração da constituição de 1934 (onde são incorporados os direitos trabalhistas e o voto feminino); a promoção do desenvolvimento industrial.

b) A implantação da ditadura; a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP); a formação do Ministério do Trabalho e o controle do movimento sindical através da estrutura corporativista; a construção do trabalhismo enquanto modelo de atuação varguista, elevando Getúlio à condição de líder, guia, estadista e "pai dos pobres". 

Resposta da questão 15:
 a) Uma dentre as consequências a seguir:
- A população de baixa renda que morava nos cortiços e casas de cômodo no centro da cidade teve suas residências demolidas e foi obrigada a buscar abrigo nos morros da cidade, para manter-se próxima aos locais de trabalho.

b) - a questão da segurança pública, devido ao destaque dado pela imprensa à delinquência infanto-juvenil e aos sequestros
- a falta de estrutura do parque esportivo para a prática de muitos esportes olímpicos 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ENEM 2012

Neste final de semana comentarei algumas questões da prova de ciências humanas do enem 2012.



O Retorno

A partir deste sábado(3) estarei retomando os posts neste blog. Estarei sempre postando algo de útil a todos,claro, sempre que possível.